Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

Advogados "In house" X Advogados "Outsourcing" - E o Cliente?


Ultimamente, uma das coisas que mais vem a me chamar a atenção é o facto dos departamentos jurídicos das empresas estarem cada vez mais maduros. Os advogados "In House" estão cada vez mais envolvidos em actividades estratégicas em suas empresas. Uma prova disso é o surgimento dos "CLO - Chief Legal Officer", que são verdadeiramente homens de negócios a gerir objectivos, metas e orçamentos do seu departamento. Os advogados "In House" ao longo do tempo, por exigência do próprio mercado, desenvolveram um perfil diferenciado de actuação, uma advocacia altamente especializada no core business da sua empresa, acabando por buscar formações complementares nas escolas de negócios.

Por outro lado, percebo também que os departamentos jurídicos estão cada vez mais enxutos e mais estratégicos, como se fossem um "Grupo de Elite" jurídico da empresa.

Obviamente este movimento nos traz um cenário bastante interessante, pois se as equipas de advogados "In house" estão cada vez mais enxutas e estratégicas, fatalmente precisarão de uma equipe externa de apoio para execução. A partir daí temos um facto relevante do mundo corporativo: Os advogados Outsourcing passam a desempenhar funções mais operacionais, a fazer parte de uma plano de actuação macro desenvolvido pelos advogados "In House".

Essa mudança tem gerado muitos desconfortos para as sociedades de advogados. Anteriormente, acostumados a traçar suas próprias estratégias e a se relacionar directamente com o CEO. Tenho visto que muitos escritórios de advocacia, bem como algumas associações, no início tentaram "diminuir" os advogados que actuam em empresas menosprezando sua actividade. E ainda, muitas sociedades de advogados a tentar retirar demandas que são feitas internamente para serem realizadas pelo seu escritório. Sinceramente, não futuro neste tipo de relacionamento, pois quem sai perdendo são todos os lados, principalmente o cliente. Aliás, o Cliente é quem deve ser a estrela principal desta trama. Mas parece que o perfil do cliente mudou, agora passa a integrar também neste papel o departamento jurídico da empresa.

Existem aqueles que percebem as mudanças de mercado e se reposicionam , e aqueles que a ignoram e continuam a avançar do mesmo modo. Para os que se reposicionam, será necessário, a partir de agora perceber que dentro do universo de clientes, também estão os Advogados "In House" que precisam de apoio qualificado externo, e que pelo facto de estarem full time na empresa conhecem de forma pormenorizada as principais características do seu negócio. Não vale à pena competir, não é inteligente competir com os advogados "In house". O objectivo passar a ser "Como contribuir para o alcance dos objectivos internos do Dep. Jurídico do meu cliente?".

Para aqueles que optam por ignorar esta mudança, resta entrar em numa competição desleal, onde o outro competidor (os advogados "In House" possuem informações privilegiadas e o seu escritório é dentro da empresa do seu cliente. Além do mais, por mais que o escritório seja excelente em sua actividade, nada como uma equipa full time a pensar o negócio do cliente.

Portanto, busque nos advogados "In house" parceiros de negócio. Procure compreender quais são seus objectivos e metas, ofereça serviços que realmente estejam alinhados às suas necessidades. Desenvolva uma relacionamento de colaboração com o CLO.

Advogados "In house" X Advogados "Outsourcing" - Competir pra quê se as actividades são complementares?

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